"Ao me olhar no espelho, percebia que meus olhos brilhavam frios como os de um lagarto e que minha fisionomia adquiria dia a dia uma expressão dura, impenetrável. Pensando bem, já não me lembrava de quando fora a última vez que eu havia rido. Ou sorrido. Para alguém ou para mim mesmo.
Contudo, nem sempre eu conseguia defender essa tranqüila independência. Às vezes, a cerca, que eu pensava haver erguido bem alto em torno de mim, ruía por completo. Não foram muitas as vezes em que isso aconteceu, mas houve algumas. Sem que eu me desse conta disso, a parede desaparecia e, de repente, eu me via completamente nu e exposto perante o mundo. Nessas ocasiões, eu me perturbava por completo. E havia também a profecia. Ela era uma água escura sempre presente."
Ve la' mas e' se perdes 2 minutos e diz qualquer coisa.